O que é Audição? Deficiência Auditiva? E Surdez?
Por Taiane Silva Marques
A audição, assim como os outros sentidos, é muito importante para o nosso desenvolvimento enquanto sujeito e ser social. Já antes do nosso nascimento, a audição é o primeiro sentido a ser apurado e se dá através do diálogo da mãe com o seu bebê, dos novos sons, o conhecimento do mundo que nos rodeia. É através deste sentido que comunicamos com o mundo e este se comunica conosco, desenvolvendo assim a nossa identidade, os nossos sentimentos, a compreensão do mundo que está à nossa volta, os vínculos sociais, as interações intra e inter-pessoais e o modo como manifestamos os nossos anseios e necessidades.
A deficiência auditiva, trivialmente conhecida como surdez, consiste na perda parcial ou total da capacidade de ouvir, isto é, um indivíduo que apresente um problema auditivo.
É considerado surdo todo o individuo cuja audição não é funcional no dia-a-dia, e considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva.
A deficiência auditiva é uma das deficiências contempladas e integradas nas necessidades educativas especiais (N.E.E.); necessidades essas que a escola tanto fala, mas ainda age de maneira contraditória no momento de agir. Muitas vezes por falta de informação e por não saber como deve agir.
Portanto, assim como afirma Gesser (2009), surdez e deficiência auditiva são sinônimos, pois a “falha”, “insuficiência” e “imperfeição” que remetem a palavra deficiência, são as que rotulam a surdez do surdo, o próprio surdo é qualificado pelo predicativo deficiente auditivo. O que difere a deficiência auditiva, da surdez, é a cultura do próprio indivíduo, que algumas vezes, por conviver ou não com pessoas com a mesma deficiência, prefere ser chamado de surdo ou não. Este é um direito do indivíduo, se expressar com relação a si mesmo, do jeito que ele preferir.
Qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva?
Por vezes, as pessoas confundem surdez com deficiência auditiva. Porém, estas duas noções não devem ser encaradas como sinónimos.
A surdez, pode ser de origem congénita, ou seja, quando o sujeito nasce surdo, não tem a capacidade de ouvir nenhum som. Por consequência, surge uma série de dificuldades na comunicação, bem como no desenvolvimento de uma língua.
Por sua vez, a deficiência auditiva é um déficit adquirido, ou seja, é quando nasce com uma audição perfeita e que, devido a lesões ou doenças, é perdida. Nestas situações, na maior parte dos casos, a pessoa já aprendeu a se comunicar oralmente, e tem memória fônica. Porém, ao adquirir esta deficiência, vai ter que aprender a comunicar de outra forma.
Em certos casos, pode-se recorrer ao uso de aparelhos auditivos ou a intervenções cirúrgicas (dependendo do grau da deficiência auditiva) a fim de minimizar ou corrigir o problema.
Tipos de deficiência auditiva
· Deficiência Auditiva Condutiva
· Deficiência Auditiva Sensório-Neural
· Deficiência Auditiva Mista
· Deficiência Auditiva Centra/ Disfunção Auditiva Central/Surdez Central.
a) Condutiva
A perda de audição condutiva afeta na maior parte das vezes todas as frequências do som. Porém, não se verifica uma perda de audição severa.
Este tipo de perda de capacidade auditiva pode ser causada por doenças ou obstruções existentes no ouvido externo ou no ouvido interno. A surdez condutiva pode ter origem numa lesão da caixa do tímpano ou do ouvido médio.
É comum nos adultos a perda de audição condutiva, devido ao depósito de cerúmen (cera) no canal auditivo externo. Nas crianças, a otite média, uma inflamação do ouvido médio, é a causa mais comum de perda de audição condutiva.
b) Sensório-Neural
A perda de audição neurossensorial resulta de danos provocados pelas células sensoriais auditivas ou no nervo auditivo. Este tipo de perda pode dever-se a um problema hereditário num cromossoma, assim como, pode ser causado por lesões provocadas durante o nascimento ou por lesões provocadas no feto em desenvolvimento, tal como acontece quando uma grávida contrai rubéola. A sujeição a ruídos excessivos e persistentes aumenta a pressão numa parte do ouvido interno – o labirinto – e pode resultar numa perda de audição neurossensorial. Essa perda pode variar entre ligeira e profunda. Nestes casos, o recurso à amplificação do som pode não solucionar o problema, uma vez que é possível que se verifique a distorção do som.
c) Deficiência Auditiva Mista
Na deficiência auditiva mista verifica-se, conjuntamente, uma lesão do aparelho de transmissão e de recepção, ou seja, quer a transmissão mecânica das vibrações sonoras, quer a sua transformação em percepção estão afetadas/perturbadas.
Esta deficiência ocorre quando há alteração na condução do som até ao órgão terminal sensorial ou do nervo auditivo. A surdez mista ocorre quando há ambas as perdas auditivas: condutivas e neurossenssoriais.
d) Deficiência Auditiva Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central
A deficiência auditiva Central, Disfunção Auditiva Central ou Surdez Central não é, necessariamente, acompanhada de uma diminuição da sensibilidade auditiva. Contudo manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na percepção e compreensão das quaisquer informações sonoras. Este tipo de deficiência é determinado por uma alteração nas vias centrais da audição. Tal, decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral, ou seja, no Sistema Nervoso Central.
Classificação BIAP (Bureau International d’Audiophonologic):
Graus de surdez:
· Leve- entre 20 e 40 dB
· Média- entre 40 e 70 dB
· Severa- entre 70 e 90 dB
· Profunda mais de 90 dB
· 2º Grau: entre 90 e 100 dB
· 3º Grau: mais de 100 dB
GESSER (2009), ainda afirma que:
“O grau de surdez pode variar de leve a profundo. A surdez leve pode, entretanto, ir se agravando com o tempo e se tornar surdez profunda. (...) É facilmente demonstrável que a classificação dos tipos e graus de surdez pode nos cegar para o entendimento das relações que cada indivíduo estabelece com a língua de sinais, identidade e cultura surda. (...) É nesse sentido que se pode dizer que nem todos os indivíduos com algum tipo de perda auditiva são necessariamente deficientes auditivos ou surdos.” (pg.73)
Concluindo então, que a diferença entre surdez e deficiência auditiva parte da relação que o próprio sujeito cria com o que essa limitação lhe trás. Sua identidade pode ser criada a partir de seu grau de surdez e de suas vivências com a cultura surda ou não.
http://surtec.sur10.net/audicao-e-som/ouvido-humano/
Nosso ouvido é dividido em 3 partes: Externo, Médio e Interno.
1) O ouvido externo é formado pelo pavilhão aurivular e canal auditivo com a membrana timpânica no fundo do canal.
2) No ouvido médio, estão os 3 menores ossos do corpo humano; martelo, bigorna e estribo; e a abertura da tuba auditiva.
3) Ouvido interno, também conhecido como labirinto, é formado pelo aparelho vestibular (equilíbrio) e cóclea (audição).
A diminuição da audição (surdez) produz uma redução na percepção de sons e dificulta a compreensão das palavras. A dificuldade aumenta com o grau de surdez, que pode ser leve, moderada, severa e profunda.
GESSER, A. Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
