A formação dos professores X O sucesso escolar dos educandos surdos.
A inclusão efetiva dos educandos surdos em nossas escolas depende de uma série de adaptações por parte da escola, mas nenhuma delas é impossível de ser implementada. Acredita-se, contudo, que o maior desafio a ser superado neste momento específico da realidade escolar do nosso país é o de oferecer uma formação aos professores que lhes dê, além dos conhecimentos específicos e necessários para o trabalho com pessoas surdas, segurança no desenvolvimento de seus trabalhos.
A “boa vontade” dos professores, dos funcionários e dos colegas de classe para incluir o aluno surdo em uma classe regular de alunos ouvintes, não é o suficiente. O que vemos muitas vezes, são professores que dispensam os alunos portadores de necessidades educativas especiais das atividades correlatas à sua série, devido à ideia de que são incapazes de realizá-las e os colegas mantendo um relacionamento de cuidado e proteção a estes colegas que julgam ser indefesos. Pode-se atribuir estas ações equivocadas à falta de preparo dos profissionais da escola que geralmente não recebem uma formação prévia que lhes possibilite trabalhar adequadamente com o aluno surdo que fará parte da sua classe. Guarinello (2006) conclui que
A “boa vontade” dos professores, dos funcionários e dos colegas de classe para incluir o aluno surdo em uma classe regular de alunos ouvintes, não é o suficiente. O que vemos muitas vezes, são professores que dispensam os alunos portadores de necessidades educativas especiais das atividades correlatas à sua série, devido à ideia de que são incapazes de realizá-las e os colegas mantendo um relacionamento de cuidado e proteção a estes colegas que julgam ser indefesos. Pode-se atribuir estas ações equivocadas à falta de preparo dos profissionais da escola que geralmente não recebem uma formação prévia que lhes possibilite trabalhar adequadamente com o aluno surdo que fará parte da sua classe. Guarinello (2006) conclui que
“o professor ainda tem uma compreensão reducionista sobre o processo de ensino/aprendizagem dos surdos. Embora muitos trabalhos já tenham demonstrado a necessidade de formação continuada do professor, da importância da língua de sinais, do intérprete em língua de sinais, na prática, não se tem discutido, efetivamente, que a presença dessa língua não isenta o professor de compreender os processos diferenciados através dos quais os alunos surdos utilizam para tornarem-se leitores e escritores de uma língua que não dominam. A imagem que o professor faz desse aluno como (in) competente e capaz de aprender é um fator que deve ser considerado nessa discussão”.
Rebouças (2009) destaca, porém, que algum esforço já tem sido feito para mudar esta realidade, como a obrigatoriedade do ensino da LIBRAS nos currículos dos cursos de Letras, Pedagogia e Fonoaudiologia, munindo estes profissionais de conhecimentos básicos sobre a forma de comunicação específica utilizada pelas pessoas surdas.
É importante que a Libras, tal como está prevista na lei nº 10.436 regulamentada pelo decreto nº 5.626/05, seja ensinada como primeira língua dos alunos surdos e não que seja usada como recurso acessório. Por isso, afirmamos que os profissionais que lidarão com os educando surdos sejam fluentes na língua de sinais e não guardem preconceitos quanto a ela, julgando a Língua Portuguesa, língua materna dos ouvintes, mais importante e, por conseguinte, mais válida que a LIBRAS.
Rebouças (2009) acrescenta que a co-existência de professores ouvintes e surdos na escola amplia as possibilidades não só de aprendizagem linguística, mas também a apropriação da Cultura Surda, que como toda cultura tem as suas especificidades e deve ser valorizada por todos, mesmo os que não a compartilham. Sobre isso, ela diz que
“esta convivência possibilita que os alunos desenvolvam suas potencialidades e façam suas escolhas dentro da Cultura Surda, assumindo mais facilmente sua Identidade Cultural, no caso dos estudantes surdos. Em contato com o professor surdo, o aluno ouvinte deve fazer o esforço necessário para aprender a LIBRAS a partir do ponto de vista das pessoas surdas”. (REBOUÇAS, 2009, P. 65)
A Lei 10.436/02, além de determinar que a LIBRAS seja disciplina obrigatória dos cursos de Letras, Pedagogia e Fonoaudiologia, ainda garante prioridade de oferta de vagas nestes cursos para alunos surdos, profissionalizando-os para desenvolverem um trabalho que já fazem informalmente, como intérpretes da língua de sinais e como professores de LIBRAS para pessoas ouvintes.
O decreto 5626, de 22 de Dezembro de 2005, afirma em seu 14º Art. que:
“As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior.”
Sendo o decreto realmente aplicado, já seria de grande valia para o sujeito surdo, auxiliando seu acesso em todas as etapas, mas lembrando que somente isso não é o suficiente, pois como foi mostrado anteriormente é necessária a inclusão social e não somente a integração escolar.
Além do contato com a Libras nos cursos de formação de professores, os próprios docentes devem mover-se num esforço contínuo de propiciar experiências produtivas para os alunos que estão sendo incluídos nas classes regulares. Só conhecer a língua de sinais não é suficiente. Portanto, a formação continuada dos profissionais da educação e a constante reflexão sobre as práticas pedagógicas, se constituem em recursos privilegiados para o aprimoramento das estratégias de ensino no cotidiano do professor.
Duboc (2004, p.128) chama a atenção para o fato de que não queremos a formação de “professores especialistas”, se assim fosse, não estaríamos falando em educação inclusiva. É necessário
“que esses profissionais detenham sólida fundamentação teórica e prática que lhes permita identificar as dificuldades comuns dos alunos, visando eliminar as barreiras próprias de suas relações na escola”.
Essa mesma autora considera que a formação sólida dos professores nos cursos de graduação e extensão, mais a viabilização de discussões e reflexões sobre as práticas pedagógicas que privilegiam o trabalho coletivo garantem que
“essa experiência será mais rica e, simultaneamente, mais conflituosa na medida em que pressupõe o fortalecimento da identidade de um grupo discriminado em virtude de toda uma problemática histórica de dominação e segregação”. (DUBOC, 2004, p.128)
Respeitando os princípios da democracia e as especificidades individuais dos nossos alunos, investindo em formação plena e de qualidade para os professores, garantindo espaços de discussão e reflexão nas escolas e valorizando a Cultura Surda, com suas peculiaridades, certamente poderemos promover uma educação de qualidade a estes alunos, retirando-os das margens do processo de ensino-aprendizagem e os ajudando a alcançar o sucesso escolar, direito de todos os educandos.
Por Taiane Silva Marques